Cruz Alta, 20/10/2017

NOTA referente à suspensão dos atendimentos eletivos do SUS no HSVP-CA

A direção do Hospital São Vicente de Paulo de Cruz Alta (HSVP-CA), vem por meio desta, esclarecer quanto à suspensão dos atendimentos eletivos, vigente desde o dia 2 de janeiro do corrente ano.

A Instituição possui contrato firmado com a Secretaria Estadual da Saúde relativo a atendimentos para usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) que compreende 80% do atendimento do hospital. Além dos valores dos serviços prestados, o hospital recebe incentivos financeiros, criados pelo governo federal e estadual, uma vez que os valores da tabela do SUS são insuficientes para suprir os custos. No entanto, infelizmente, esses valores e incentivos não estão sendo repassados, ou quando ocorrem são de maneira incompleta, proporcionando severo desequilíbrio financeiro e administrativo.

Somando-se aos valores devidos pelo Governo Estadual, também há débitos do governo Municipal e de outras prefeituras da região, o que chega ao montante de R$ 7 milhões, isso contando até dezembro de 2014.
Estes atrasos têm desencadeado uma série de transtornos, visto que o Hospital não consegue cumprir com honradez os compromissos financeiros que assumiu junto a fornecedores, colaboradores, prestadores de serviços e corpo clínico. Fato este, que tem tornado inviável a continuação dos atendimentos eletivos do SUS até a regularização dos débitos do Estado e dos Municípios.

O HSVP, referência nas altas complexidades de neurocirurgia, ortopedia-traumatologia, hemodiálise, oncologia, e terapia intensiva, irá completar no próximo mês 94 anos de fundação. Desempenhando um papel fundamental na saúde de toda a Macrorregião Missioneira, engloba um universo de mais de 1,2 milhão de pessoas e atua como referência para 33 municípios das 9ª e 17ª Coordenadorias Regionais de Saúde, onde, de modo eletivo, são realizadas mensalmente, em média mais de 110 cirurgias, 130 internações, aproximadamente 1,4 mil consultas e milhares de procedimentos laboratoriais e investigativos.

A instituição, através da sua atual gestão, vem buscado, incansavelmente, maneiras de regularizar essa situação que, lamentavelmente, atinge diretamente à comunidade local e regional que dependem dessa assistência. Em virtude da suspensão desses serviços, muitos desses atendimentos deixaram de ser feitos, prejudicando assim, uma vasta gama de usuários.

Além da paralisação dos atendimentos eletivos, também foram suspensos os casos mais complexos de urgência e emergência de traumato-ortopedia, por falta de material especializado como órteses, próteses e astes, uma vez que os fornecedores se recusam a repor esse material até que as dívidas com eles sejam quitadas. Ressaltamos que os demais atendimentos de urgência e emergência continuam funcionando com dificuldades, porém não se pode assegurar até quando.

A instituição vem se esforçando ao máximo para manter os serviços que fornecem exames de imagens e os serviços de especialidades em oncologia e nefrologia (sessões de hemodiálises).

Foi em virtude deste cenário, também compartilhado por Instituições filantrópicas de todo o País, que o Conselho Gestor do HSVPCA, não mais conseguindo contornar a situação, como vinha fazendo até o momento, primando pela qualidade nos atendimentos e nas condições de trabalho dos profissionais, decidiu pela suspensão dos atendimentos, assim, garantindo que ao menos os atendimentos de urgência continuem sendo realizados de maneira adequada.

Quanto aos salários mensais e 13º dos colaboradores, a Instituição tem conseguido manter o pagamento, fazendo-se uso de empréstimos. No entanto, o mês de dezembro que deveria ter sido pago na última semana, ainda não foi disponibilizado, estando também a mercê do repasse do Estado. Os médicos que prestam serviço ao HSVP também estão prejudicados, pois não estão recebendo seus honorários desde outubro de 2014, sendo que existem fortes indicativos de suspensão dos serviços por parte destes profissionais, que são fundamentais para dar assistência aos pacientes. Receber valores defasados, aviltantes, com atrasos e ainda sem perspectiva de retomada de pagamento, com certeza, não é nada animador, o que facilita a desistência de prestarem seus serviços.

A direção do Hospital entende que o novo Governo Estadual ainda está se inteirando da situação, a qual vem ocorrendo desde a anterior administração. Mesmo assim, segue na busca de uma solução junto aos Municípios e ao Estado, antes que a situação se agrave ainda mais. Tão logo sejam regularizados os débitos, os atendimentos serão normalizados imediatamente.

Na esperança que tudo volte ao normal, o mais rápido possível, almejamos que as autoridades competentes firmem ainda mais seu olhar para o HSVP; que a instituição receba os repasses atrasados, e que não haja mais atrasos, pois tudo fica ainda mais difícil para o atendimento ao paciente que necessita do SUS, quando os recursos não chegam na hora devida.



A Direção.